Um mundo com menos Castro e mais Gates
Castro vem de “castrar”, enquanto que “gates”, em inglês, é “passagem” ou “portão para passagem”. Observando as palavras apenas, já temos muito. Passagem, portão, porta – tudo isso pode sempre dar a idéia de esperança, de entrada para um mundo melhor ou de saída de problemas e dificuldades. Castrar, diferentemente, não é uma palavra ligada à esperança. Qual esperança pode aparecer em uma palavra que tem a ver com a retirada de testículos do macho, a fim de eliminar a possibilidade da reprodução? Nenhuma, é claro.
Uma pessoa mística, dessas que fazem leituras de nomes e números, poderia ver aí em “castro” e “gates” uma determinação, um “destino” ou coisa parecida. Para os filósofos e escritores, nada além de expressões que podem bem dar o que pensar. Pois o último quarto do século XX, e que está determinando a história desse primeiro quarto do século XXI, são emblemáticos a partir de “castro” e “gates”. Ou melhor, Castro e Gates. Fidel Castro fez os anos cinqüenta terminarem sob a idéia de que o socialismo da URSS poderia ser coisa do passado, e que um novo socialismo, com “rumba e latinidade”, poderia ser o paraíso na Terra. Mas a atividade de castrar venceu logo a de liberdade. Quando do início dos anos sessenta, Castro já havia colocado Cuba em outra ditadura. Havia tirado Cuba das mãos de Batista para entregá-la nas mãos do Império Soviético. E pior: trouxe para a América o confronto nuclear, se já não bastasse o que começava a fazer de mal para o seu povo, que até então havia tentado ajudar. A censura e as perseguições se fizeram em um rumo igual ao das revoluções que terminaram menos em “ditadura do proletariado” e mais em ditadura de uma família ou grupellho. Fidel Castro, de libertador a castrador, foi um passo. Ao terminar o século XX, ele era dono – literalmente – de uma Ilha miserável, aquela que, na juventude, prometeu transformar em um lugar de igualdade, prosperidade e amor. Castro não teve sucesso. Mesmo sustentado por anos a fio pela URSS, que comprava seu açúcar por preço de ouro e enfiava dinheiro na “experiência socialista” para mostrar ao mundo que mesmo sob bloqueio econômico do “Ocidente” o socialismo era mais forte economicamente que o capitalismo, Castro não conseguiu fazer outra coisa que não castrar iniciativas, imaginação e disposição. Chegou mesmo a namorar com o imperialismo, palavra que tanto condenou. Invadiu a África com tropas cubanas. Novamente sustentado pela URSS, ampliou a guerra na África contra “grupos de direita” que estariam impedindo a descolonização da África. Estranho “esforço de guerra” aquele. Mas era um esforço imperialista. Era o imperialismo do Império Soviético. Quando a URSS desapareceu, Castro mostrou que ele não havia feito nada de concreto pelo seu país. Rapidamente a ilha se tornou um local para turistas, algo muito parecido com o que era no tempo de Batista. Com uma perversa diferença: na época de Batista os hotéis eram abertos, hoje, eles são fechados; os próprios cubanos entram ali, para trabalhar, e são revistados na entrada e na saída – e não é uma “revista” digna, eu garanto. Muitos cubanos, às vezes intelectualmente qualificados, trabalham ali e se humilham diante dos turistas do mundo todo, em especial diante de ricaços, que fazem de Cuba seu lugar preferido de férias, dado que o complexo hoteleiro criado é realmente bom. Destino trágico este o de um povo castrado. Além de castrado, ter de limpar botas e catar lixo com absorventes ensangüentados em hotéis, servindo aos capitalistas do mundo todo. Perversamente irônico esse destino, o de servir aos capitalistas em hotéis, após tantos anos dizendo que estavam combatendo os tais capitalistas.
Fidel Castro, quando viu que a URSS havia acabado e, então, percebeu logo que sua Ilha não sobreviveria sob ditadura, pois ele nunca se preocupou em tornar o país autônomo em determinados elementos importantes para uma economia saudável, retomou o seu discurso fingido. Toda vez que alguém mostra a pobreza de Cuba, Fidel Castro e sua gang apontam para os Estados Unidos como o culpado. Os Estados Unidos, pelo boicote econômico, teriam causado a desgraça da Ilha. É como se durante mais de trinta anos não tivesse havido nenhum comércio exterior para Cuba. Mas durante trinta anos Cuba teve o apoio de todos os países satélites da URSS e, enfim, da própria URSS. É estranho que alguém monte um país socialista e reclame do inimigo, o capitalista, pelo seu insucesso, não é? Mas é isso que Castro faz hoje. Moribundo, ele pegou um garoto com olhos de suíno e pouco inteligência (que a direita brasileira diz que é mais inteligente que Lula!), o Chávez, para continuar sua missão. Qual? A de dizer para o mundo o seguinte: nós, os socialistas, somos gente fracassada por causa dos capitalistas. Não é fantástic? Castro castrou sua própria inteligência. Ele quer que os Estados Unidos, um país onde a esquerda e a direita, na grande maioria, são liberais democratas, ajude a Ilha a manter sua ditadura!
No Brasil ainda há os “frei betos”, os “gabriel cohn”, os “saders”, os “paulo arantes”, os “mensaleiros” e outros da “companheirada & cia” que dão crédito para a atividade de castrar. Temo a falta de inteligência dessa gente, pois isso pode se tornar amor à maldade. Sou um pouco rousseauísta e, como tal, acho que Adorno está certo ao dizer que “a inteligência é uma categoria moral”. Temo muito isso, que pessoas cujo cérebro foi moldado pela idéia de que é inteligente ser socialista, e tornem pessoas más a ponto de ferir seus concidadãos que não querem ser socialistas, como Castro fez, ao longo de trinta anos, com amigos e antigos “companheiros”. Castrar é uma das atividades que mais mete medo aos homens, e esses que gostam de ditaduras são habilidosos na atividade de castrar. Eles próprios são castrados, em duplo sentido. Não podem mais colocar nada no mundo. E então, querem ver todos os outros sob o mesmo infortúnio.
Mas, felizmente, o último quarto do século XX criou também gente que possibilitou a luta contra a castração. Bill Gates abriu os portões da liberdade, da individualidade e da chance de todos se comunicarem com todos. A Internet e tudo que a ela se relaciona, e que saiu do cérebro fantástico de Gates – e agora de um grupo que se amplia no mundo todo (vejam os rapazes do Google!) –, fizeram uma revolução no mundo. Essa revolução pode não fazer da Terra um paraíso, mas permitiu a cada um, então massacrado pelas grandes organizações – o que os filósofos da Escola de Frankfurt chamavam de “vítimas da sociedade administrada’ –, a botar a cabeça para fora e dizer: não adianta me tirarem o emprego e a cidadania, eu ainda estou aqui, incomodando. Bill Gates trouxe de modo pacífico e gostoso o que as revoluções por liberdade disseram que iriam trazer por meio de guilhotina, sangue e mártires – muitos mártires. Ele trouxe a chance de não sermos castrados.
Quando um jornal manda embora um jornalista, por ele ter desafiado o redator chefe, ele, sem dinheiro nenhum, monta um blog e prova para o jornal que ele ainda pode ser jornalista. Quando um cientista é colocado fora de seu laboratório, pois quer comunicar os resultados de uma pesquisa que não interessa ao seu financiador, ele pode, sem dinheiro nenhum, chegar em casa e montar um site, onde toda sua descoberta é apontada em linhas gerais. Quando um artista é colocado fora dos palcos, pois a comunidade em que ele vive, ou toda a sociedade, não quer que ele exponha uma peça que seria contra “a moral e os bons costumes”, ele monta um vídeo, totalmente de graça, e coloca no YouTube. Quando um menino quer ver mulher pelada ou uma menina lésbica quer se comunicar com a amiga, sem os pais saberem, eles ganham uma certa privacidade com a Internet. Quando um homem vê alguém cometendo um crime ecológico, e não tem a quem recorrer, ele faz uma lista de e-mails na Internet, e consegue mobilizar o mundo para parar o crime ecológico. Quando uma mulher está para ser apedrajada por infidelidade, lá no Irã, ou quando jovens gays vão morrer enforcados nesse mesmo país, podemos todos pressionar o governo iraniano para parar a barbárie, por meio de mensagens visuais pela Internet. Quando Bush invade lugares sem voto da ONU, os soldados, lá no campo de batalha, abrem seus “lap tops” e recebem mensagens do mundo todo dizendo: “essa guerra é errada, não morra aí meu jovem”. E isso tem feito muitos militares repensarem onde eles devem realmente agir. Bil Gates fez uma revolução contínua, pois deu aos homens o “caminho”, a “passagem”. Todos podem passar de espectadores para atores e ativistas. Milhões podem ser revolucionários. Cada causa humanitária pode ser colocada para outros. Cada ato de terror pode ser denunciado. O “Grande Irmão” se realizou, mas de um modo diferente do de Castro; todos se tornaram “big brothers”. E os governos, hoje, lutam para que exista controle na Internet. Bil Gates já disse: a Internet é incontrolável, e eu mesmo, não tenho a menor idéia de como fazer isso, e se soubesse como, jamais faria.
A esquerda brasileira e a direita brasileira nasceram do autoritarismo e da luta contra direitos individuais. Os comunistas de toda espécie e os adeptos do trabalhismo de Vargas, Brizola e outros populistas nunca tiveram apreço pela democracia que implica em valorização da liberdade individual. A direita brasileira, nascida nas barras das saias de “senhoras de Santana”, de “Lacerdinhas da vida” ou de udenistas safados do Nordeste, nunca conseguiram pensar em outra coisa que não o combate à esquerda. Nunca tiveram um projeto positivo para o país, a não ser o de extrair dele tudo que pudessem extrair, para então, “voltar” para a Europa. A direita política e a esquerda política, no Brasil, odeiam Bill Gates, e amam Fidel Castro. Sim, a direita nossa ama Fidel Castro – podem acreditar. Quando falam mal dele, elas falam de um ponto de vista que nunca é o favorecimento da liberdade individual. Ela, a direita brasileira, está se acostumando a eleições e liberdade agora, mas ela continua racista, exploradora, coronelística e inculta. Igual nossa esquerda. Podem reparar como essa gente tem dificuldade de lidar com a Internet. Digam para eles: passe um e-mail. O e-mail não vem. Faça um blog. Xiii, nem sabem como. Ponha um vídeo na NET. Que nada, nunca conseguiram sequer pesquisar algo no YouTube. A direita e a esquerda tem pavor da “tecnologia”, das “máquinas”, da “comunicação das máquinas”. Nisso, a direita e a esquerda são iguais. Elas não entendem os jovens no mundo criado por Bill Gates. Elas não entendem o mundo da liberdade individual. São do partido dos que querem castrar, não dos que querem passagens. Tenho esperança que essa juventude realmente nova (há jovens velhos, sabemos!) possa pegar tal gosto pela liberdade individual a ponto de não dar mais ouvidos aos que não tem “far play”. Vamos ter um mundo com mais Gates, e menos Castros. Não será o paraíso na Terra, mas, tenho certeza, será um lugar bem melhor que a utopia de “embelezamento do mundo”, de Hitler, que Castro quis levar adiante em Cuba, e que de vez em quando algum filho de coronel da UDN ou um “companheiro” quer retomar aqui.
Paulo Ghiraldelli Jr.
“O filósofo da cidade de São Paulo”
Uma pessoa mística, dessas que fazem leituras de nomes e números, poderia ver aí em “castro” e “gates” uma determinação, um “destino” ou coisa parecida. Para os filósofos e escritores, nada além de expressões que podem bem dar o que pensar. Pois o último quarto do século XX, e que está determinando a história desse primeiro quarto do século XXI, são emblemáticos a partir de “castro” e “gates”. Ou melhor, Castro e Gates. Fidel Castro fez os anos cinqüenta terminarem sob a idéia de que o socialismo da URSS poderia ser coisa do passado, e que um novo socialismo, com “rumba e latinidade”, poderia ser o paraíso na Terra. Mas a atividade de castrar venceu logo a de liberdade. Quando do início dos anos sessenta, Castro já havia colocado Cuba em outra ditadura. Havia tirado Cuba das mãos de Batista para entregá-la nas mãos do Império Soviético. E pior: trouxe para a América o confronto nuclear, se já não bastasse o que começava a fazer de mal para o seu povo, que até então havia tentado ajudar. A censura e as perseguições se fizeram em um rumo igual ao das revoluções que terminaram menos em “ditadura do proletariado” e mais em ditadura de uma família ou grupellho. Fidel Castro, de libertador a castrador, foi um passo. Ao terminar o século XX, ele era dono – literalmente – de uma Ilha miserável, aquela que, na juventude, prometeu transformar em um lugar de igualdade, prosperidade e amor. Castro não teve sucesso. Mesmo sustentado por anos a fio pela URSS, que comprava seu açúcar por preço de ouro e enfiava dinheiro na “experiência socialista” para mostrar ao mundo que mesmo sob bloqueio econômico do “Ocidente” o socialismo era mais forte economicamente que o capitalismo, Castro não conseguiu fazer outra coisa que não castrar iniciativas, imaginação e disposição. Chegou mesmo a namorar com o imperialismo, palavra que tanto condenou. Invadiu a África com tropas cubanas. Novamente sustentado pela URSS, ampliou a guerra na África contra “grupos de direita” que estariam impedindo a descolonização da África. Estranho “esforço de guerra” aquele. Mas era um esforço imperialista. Era o imperialismo do Império Soviético. Quando a URSS desapareceu, Castro mostrou que ele não havia feito nada de concreto pelo seu país. Rapidamente a ilha se tornou um local para turistas, algo muito parecido com o que era no tempo de Batista. Com uma perversa diferença: na época de Batista os hotéis eram abertos, hoje, eles são fechados; os próprios cubanos entram ali, para trabalhar, e são revistados na entrada e na saída – e não é uma “revista” digna, eu garanto. Muitos cubanos, às vezes intelectualmente qualificados, trabalham ali e se humilham diante dos turistas do mundo todo, em especial diante de ricaços, que fazem de Cuba seu lugar preferido de férias, dado que o complexo hoteleiro criado é realmente bom. Destino trágico este o de um povo castrado. Além de castrado, ter de limpar botas e catar lixo com absorventes ensangüentados em hotéis, servindo aos capitalistas do mundo todo. Perversamente irônico esse destino, o de servir aos capitalistas em hotéis, após tantos anos dizendo que estavam combatendo os tais capitalistas.
Fidel Castro, quando viu que a URSS havia acabado e, então, percebeu logo que sua Ilha não sobreviveria sob ditadura, pois ele nunca se preocupou em tornar o país autônomo em determinados elementos importantes para uma economia saudável, retomou o seu discurso fingido. Toda vez que alguém mostra a pobreza de Cuba, Fidel Castro e sua gang apontam para os Estados Unidos como o culpado. Os Estados Unidos, pelo boicote econômico, teriam causado a desgraça da Ilha. É como se durante mais de trinta anos não tivesse havido nenhum comércio exterior para Cuba. Mas durante trinta anos Cuba teve o apoio de todos os países satélites da URSS e, enfim, da própria URSS. É estranho que alguém monte um país socialista e reclame do inimigo, o capitalista, pelo seu insucesso, não é? Mas é isso que Castro faz hoje. Moribundo, ele pegou um garoto com olhos de suíno e pouco inteligência (que a direita brasileira diz que é mais inteligente que Lula!), o Chávez, para continuar sua missão. Qual? A de dizer para o mundo o seguinte: nós, os socialistas, somos gente fracassada por causa dos capitalistas. Não é fantástic? Castro castrou sua própria inteligência. Ele quer que os Estados Unidos, um país onde a esquerda e a direita, na grande maioria, são liberais democratas, ajude a Ilha a manter sua ditadura!
No Brasil ainda há os “frei betos”, os “gabriel cohn”, os “saders”, os “paulo arantes”, os “mensaleiros” e outros da “companheirada & cia” que dão crédito para a atividade de castrar. Temo a falta de inteligência dessa gente, pois isso pode se tornar amor à maldade. Sou um pouco rousseauísta e, como tal, acho que Adorno está certo ao dizer que “a inteligência é uma categoria moral”. Temo muito isso, que pessoas cujo cérebro foi moldado pela idéia de que é inteligente ser socialista, e tornem pessoas más a ponto de ferir seus concidadãos que não querem ser socialistas, como Castro fez, ao longo de trinta anos, com amigos e antigos “companheiros”. Castrar é uma das atividades que mais mete medo aos homens, e esses que gostam de ditaduras são habilidosos na atividade de castrar. Eles próprios são castrados, em duplo sentido. Não podem mais colocar nada no mundo. E então, querem ver todos os outros sob o mesmo infortúnio.
Mas, felizmente, o último quarto do século XX criou também gente que possibilitou a luta contra a castração. Bill Gates abriu os portões da liberdade, da individualidade e da chance de todos se comunicarem com todos. A Internet e tudo que a ela se relaciona, e que saiu do cérebro fantástico de Gates – e agora de um grupo que se amplia no mundo todo (vejam os rapazes do Google!) –, fizeram uma revolução no mundo. Essa revolução pode não fazer da Terra um paraíso, mas permitiu a cada um, então massacrado pelas grandes organizações – o que os filósofos da Escola de Frankfurt chamavam de “vítimas da sociedade administrada’ –, a botar a cabeça para fora e dizer: não adianta me tirarem o emprego e a cidadania, eu ainda estou aqui, incomodando. Bill Gates trouxe de modo pacífico e gostoso o que as revoluções por liberdade disseram que iriam trazer por meio de guilhotina, sangue e mártires – muitos mártires. Ele trouxe a chance de não sermos castrados.
Quando um jornal manda embora um jornalista, por ele ter desafiado o redator chefe, ele, sem dinheiro nenhum, monta um blog e prova para o jornal que ele ainda pode ser jornalista. Quando um cientista é colocado fora de seu laboratório, pois quer comunicar os resultados de uma pesquisa que não interessa ao seu financiador, ele pode, sem dinheiro nenhum, chegar em casa e montar um site, onde toda sua descoberta é apontada em linhas gerais. Quando um artista é colocado fora dos palcos, pois a comunidade em que ele vive, ou toda a sociedade, não quer que ele exponha uma peça que seria contra “a moral e os bons costumes”, ele monta um vídeo, totalmente de graça, e coloca no YouTube. Quando um menino quer ver mulher pelada ou uma menina lésbica quer se comunicar com a amiga, sem os pais saberem, eles ganham uma certa privacidade com a Internet. Quando um homem vê alguém cometendo um crime ecológico, e não tem a quem recorrer, ele faz uma lista de e-mails na Internet, e consegue mobilizar o mundo para parar o crime ecológico. Quando uma mulher está para ser apedrajada por infidelidade, lá no Irã, ou quando jovens gays vão morrer enforcados nesse mesmo país, podemos todos pressionar o governo iraniano para parar a barbárie, por meio de mensagens visuais pela Internet. Quando Bush invade lugares sem voto da ONU, os soldados, lá no campo de batalha, abrem seus “lap tops” e recebem mensagens do mundo todo dizendo: “essa guerra é errada, não morra aí meu jovem”. E isso tem feito muitos militares repensarem onde eles devem realmente agir. Bil Gates fez uma revolução contínua, pois deu aos homens o “caminho”, a “passagem”. Todos podem passar de espectadores para atores e ativistas. Milhões podem ser revolucionários. Cada causa humanitária pode ser colocada para outros. Cada ato de terror pode ser denunciado. O “Grande Irmão” se realizou, mas de um modo diferente do de Castro; todos se tornaram “big brothers”. E os governos, hoje, lutam para que exista controle na Internet. Bil Gates já disse: a Internet é incontrolável, e eu mesmo, não tenho a menor idéia de como fazer isso, e se soubesse como, jamais faria.
A esquerda brasileira e a direita brasileira nasceram do autoritarismo e da luta contra direitos individuais. Os comunistas de toda espécie e os adeptos do trabalhismo de Vargas, Brizola e outros populistas nunca tiveram apreço pela democracia que implica em valorização da liberdade individual. A direita brasileira, nascida nas barras das saias de “senhoras de Santana”, de “Lacerdinhas da vida” ou de udenistas safados do Nordeste, nunca conseguiram pensar em outra coisa que não o combate à esquerda. Nunca tiveram um projeto positivo para o país, a não ser o de extrair dele tudo que pudessem extrair, para então, “voltar” para a Europa. A direita política e a esquerda política, no Brasil, odeiam Bill Gates, e amam Fidel Castro. Sim, a direita nossa ama Fidel Castro – podem acreditar. Quando falam mal dele, elas falam de um ponto de vista que nunca é o favorecimento da liberdade individual. Ela, a direita brasileira, está se acostumando a eleições e liberdade agora, mas ela continua racista, exploradora, coronelística e inculta. Igual nossa esquerda. Podem reparar como essa gente tem dificuldade de lidar com a Internet. Digam para eles: passe um e-mail. O e-mail não vem. Faça um blog. Xiii, nem sabem como. Ponha um vídeo na NET. Que nada, nunca conseguiram sequer pesquisar algo no YouTube. A direita e a esquerda tem pavor da “tecnologia”, das “máquinas”, da “comunicação das máquinas”. Nisso, a direita e a esquerda são iguais. Elas não entendem os jovens no mundo criado por Bill Gates. Elas não entendem o mundo da liberdade individual. São do partido dos que querem castrar, não dos que querem passagens. Tenho esperança que essa juventude realmente nova (há jovens velhos, sabemos!) possa pegar tal gosto pela liberdade individual a ponto de não dar mais ouvidos aos que não tem “far play”. Vamos ter um mundo com mais Gates, e menos Castros. Não será o paraíso na Terra, mas, tenho certeza, será um lugar bem melhor que a utopia de “embelezamento do mundo”, de Hitler, que Castro quis levar adiante em Cuba, e que de vez em quando algum filho de coronel da UDN ou um “companheiro” quer retomar aqui.
Paulo Ghiraldelli Jr.
“O filósofo da cidade de São Paulo”


