20/11/2007

O Nassif toca banjo, e daí?

Só agora chegou até mim a crítica de Nassif por conta do meu artigo, lá do meio do ano (2007), em que fui contra a posição de Marilena Chauí; aquele que escrevi para o Estado de São Paulo, em que eu dizia que ela não estava se portando democraticamente ao falar que a imprensa carregava nas tintas sobre o episódio da TAM.

O texto de Nassif parece que é daqueles que quer impedir de eu escrever. Ou seja, se fui uma pessoa da academia, se tenho títulos, se sou filósofo, então devo ficar no meu canto. Não devo ir para a imprensa. Pois é isso que ele insinua ao dizer que eu ataquei Lula para ter 15 minutos de fama, coisa que eu mesmo denunciava em 2004 - segundo recorte de um texto que ele diz que é meu, e que ele cita no blog dele. Mas eu não ataquei Lula, eu divergi de Chauí. Quem atacou Lula foi ele mesmo, o próprio Lula, que deu um tiro no pé ao nos trair com o "mensalão".

O que eu não entendi é a raiva do Nassif, que parece que queria fazer uma defesa meio envergonhada da Marilena e do governo, e como não conseguiu, saiu tropeçando nas minhas fotos.
Qual a razão de eu ter de concordar com Marilena Chauí se ela se posicionou de modo não democrático ao criticar a imprensa do modo como criticou? Quer dizer que uma pessoa que admiramos por uma série de coisas muda e começa a falar asneiras e, então, nós temos de concordar com tal pessoa? Qual a razão de eu, que sou de esquerda e apoiava Lula, ter de continuar a apoiá-lo após 2005, quando ficou provado que fui enganado pelo PT? Tenho de negar que fui enganado, para aparecer como sabichão, como fazem muitos? Tenho de continuar a apoiar o governo? Sou filósofo e, então, não posso dizer que eu não sabia o que o PT fazia - é assim que deve ser portar um filósofo? Ora, mas e quem realmente não sabia? Quem sabia e não denunciou, pecou junto! Eu não sabia. Fiquei sabendo e discordei. Não sou sabichão. Fui tolo como muitos outros. Não tenho medo da direita dizer "ah, eu não falei" (eu vi o Giannotti dizer esse "ah, eu falei que o Lula era assim", mas e daí - ele é sabichão, eu não!). Quem não mudou de posição por medo da direita falar "ah, eu não disse"", é conivente com a ladroagem.

Nassif tenta me desqualificar, parece, dizendo que eu falei do "nariz de Aristóteles" e outras amenidades da filosofia - ele não entendeu o que é artigo soft, de divulgação. Ele não entendeu a "parte Caras da filosofia". E pior, apela: diz que eu publiquei fotos de minha esposa nua, e ele desaprova o Estadão por publicar uma pessoa que faz isso, pelo que deixa transparecer. Como se pode ver, Nassif vai de preconceito em preconceito (e no fundo, queria agradar patrão, atacando o outro jornal). Sua única vontade é dizer: "volte para academia, não venha na imprensa". Sim, ele é censor. Não leu meus livros ou textos acadêmicos. Lê o que coloco em blogs, que é necessariamente soft, e destila desinformação e preconceito. No caso da minha esposa, então, custa a acreditar no espanto dele. A foto da minha esposa não é foto de pessoa nua. Ela está de costas! E quando está deitada, está coberta! Quaquer um tira fotos mais ousadas na praia. E minha esposa é modelo. É da profissão dela ter fotos assim. E o que Nassif, afinal, tem a ver com isso? Ele não gosta de mulher?

15 minutos de fama, tive eu, por criticar Chauí? Ora, escrevo faz 20 anos e, inclusive, na imprensa, e escrevi em outras oportunidades coisas que realmente me trouxeram fama. Fama na minha área de trabalho, eu consegui com os artigos sobre Rorty e Davidson, em vários jornais e revistas. Mas fama é o que importa? Escrevo profissionalmente, e a fama ajuda a vender - mas para vender livros de filosofia e educação, não basta fama. Fama é bom para auto-ajuda. Mas eu vendo livros acadêmicos em um Brasil que não lê muito, portanto, devo ter algum mérito, não?
Não teria eu que escrever? Teria de abdicar da minha profissão, para deixar Nassif na dele? Como que posso ter fama, só agora, se ganho a vida escrevendo faz mais de dez anos? Antes disso eu não tinha fama? Só agora? Ora, há muito que meus livros esgotam, caso contrário, eu não poderia viver, dado que não faço outra coisa além de escrever. Nassif não sabia? Bom, é sinal que ele não lê, pois tenho livros populares de filosofia e educação. Não foi pela imprensa que consegui ter meu público. Foi escrevendo aquilo que o estudante precisa para usar.

Essa mentalidade de inveja é que atrapalha a nós, brasileiros. Não conseguimos assumir que, se alguém tem competência, pode atravessar fronteiras. Nassif posa de cantor de banjo no blog dele, e no entanto critica minha foto no meu blog. Não é estranho? Ou é um caso de paixão não correspondida, essa do Nassif - é isso? Ah meu Deus, quanto mais eu rezo, mais assombração aparece.


Vejam aí na lateral a foto do Nassif abraçado no banjo, posando de compositor, cantor, jornalista, ganhador de prêmios etc. Isso ele colocou lá no blog dele! Eu não tenho nada de criticá-lo como jornalista por ele tocar banjo! Como que uma pessoa que tira uma foto como esse olhar, e abraçado em um banjo, pode criticar as minhas fotos? Será que ele se imagina um Juca Chaves, um menestrel? E se acha isso, não é por aí que vou criticá-lo.

Ou será que, enfim, como vieram me contar, o texto dele era "pau mandado"? Pau mandado do governo? Era isso? Será que só agora vou entender de fato o nome da coluna dele? Lembram?

Paulo Ghiraldelli Jr. - pgjr23@yahoo.com.br

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